Mostrar mensagens com a etiqueta Bibliotecários em Portugal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bibliotecários em Portugal. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Não sabia que era preciso ter um curso para trabalhar na Biblioteca!


   E mais uma vez: "Não sabia que era preciso ter um curso para trabalhar na Biblioteca!"...

   Não é a primeira vez e com certeza não será a última vez que assistirei a este tipo de comentários. A falta de informação da sociedade deixa-me por vezes um pouco aborrecida. Mas, para dizer a verdade, não me canso de tentar explicar. =)

   Esta ideia de falta de formação do profissional pode estar ligada ao facto de não nos serem atribuídas tarefas e funções que exijam grande capacidade intelectual e de trabalho, normalmente o profissional de biblioteca é visto como alguém que "não faz nada e se limita a arrumar livros nas estantes", ou que "fica sentado numa secretária à espera que apareçam os leitores e que a sua única tarefa é proceder ao empréstimo de livros". Estas funções, pela sua simplicidade de execução, podem ser realizadas realmente por qualquer pessoa.

   Claro que não é preciso ter um curso para trabalhar na biblioteca... dependendo das funções que desempenha. Agora um bibliotecário deve ter sim formação na área.

   Sabia que em Portugal, cerca de 88% dos bibliotecários a desempenhar funções em bibliotecas públicas têm formação superior à licenciatura?

Formação dos bibliotecários a desempenhar funções em bibliotecas públicas em Portugal


   Pois é... Aquela ideia de que qualquer um pode desempenhar funções de bibliotecário começa a cair por terra...
  
   Portugal apresenta uma classe de bibliotecários jovem e altamente qualificada. Mas como o trabalho nem sempre é visível, poucas vezes é reconhecido.

   Mas o que seria do mundo sem os bibliotecários?

   




Fonte: http://www.bad.pt/publicacoes/index.php/cadernos/article/view/1209/pdf_2

Pode consultar aqui a formação na área disponível em Portugal: http://www.apbad.pt/Formacao/formacao_cdisp.htm.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Fernando Pessoa, o aspirante a bibliotecário



Este episódio passaria quase despercebido no panorama nacional, se não fosse o protagonismo que o principal envolvido viria a alcançar na composição das figuras mais mediáticas da cultura do nosso país. 

Em 1932, o jornal O Século publica um anúncio para preenchimento de uma vaga como conservador-bibliotecário no Museu Condes de Castro Guimarães, em Cascais. Até aqui, nada de novo… Mas eis que uma das personagens (agora considerada) definitivamente marcantes de Portugal do século XX decide candidatar-se ao cargo. Nada mais nada menos que Fernando Pessoa. Sim… o mesmo Fernando Pessoa que hoje nos delicia com obras poético-literárias, afinal, queria ser bibliotecário. 

Na sua carta de candidatura datada de 16 de Setembro de 1932, Pessoa refere-se desta forma ao anúncio publicado pelo jornal:

No texto do artigo 6, propriamento dito, do Regulamento, diz-se que é necessário que o conservador-bibliotecário seja pessoa de «reconhecida competência e idoneidade». Salvo o que de competência e idoneidade está implícito nas habilitações indicadas como motivo de preferência nos parágrafos do artigo, e portanto se prova documentalmente pelos documentos referentes às indicações de cada parágrafo, a competência e a idoneidade não são susceptíveis de prova documental. Incluem, até, elementos como aspecto físico e a educação, que são indocumentáveis por natureza. (Bonnet, 2010)

     

     Claro está que, até pela forma discursivo-argumentativa de resposta ao anúncio, Fernando Pessoa nem sequer viria a ter hipótese de conseguir o lugar a que se candidatava. Deixou-nos, porém, um brilhante testemunho que nos leva a reflectir sobre o paradigma do perfil e requisitos considerado necessários para o exercício da profissão. Um concurso para um lugar como conservador-bibliotecário, no já distanciado ano de 1932, referindo-se à competência, idoneidade, aspecto físico e educação como elementos de importância relevante para execução do cargo.




Fonte:

Bonnet, J. (2010). Bibliotecas cheias de fantasmas. Lisboa: Quetzal.


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O Estereótipo do Bibliotecário em Portugal

Filme "A múmia"

   O estereótipo do Bibliotecário em Portugal foi tema de estudo da minha dissertação de mestrado apresentada em Março de 2014.

   O meu interesse sobre o tema surge quando comecei a trabalhar numa biblioteca universitária e pude constar que o trabalho desempenhado pela bibliotecária era totalmente desconhecido pela comunidade académica. Perguntas como "É preciso tirar um curso para trabalhar aqui?" eram constantes, e era notória a admiração quando respondia a estas questões que para mim eram óbvias... Será assim tão difícil imaginar o trabalho que desempenhamos?

   Com o tempo comecei a entender que necessitava agir o mais rápido possível para que a imagem da profissão se renovasse aos seus olhos... E é um trabalho árduo e contínuo... acreditem... porque todos os anos, novos alunos chegam, novas turmas se formam mas as questões e comentários repetem-se...

   Este trabalho foi só mais um passo... um pequeno passo no combate ao arquétipo... ou antes no combate à falta de informação por parte da sociedade. Nós somos assim, nem gordos demais, nem magros demais, nem mais altos ou baixos... somos como tu! Com ou sem óculos somos os heróis da era da informação ;)



Pode consultar aqui: